Archives

  • 2018-07
  • 2018-10
  • 2018-11
  • 2019-04
  • 2019-05
  • 2019-06
  • 2019-07
  • 2019-08
  • Fujimori fei eleito presidente neste contexto cr tico

    2019-05-13

    Fujimori fei eleito presidente neste contexto crítico com uma plataforma que parecia capturar, ao mesmo tempo, o rechaço popular à política criolla personificada em Vargas Llosa, e uma desconfiança em relação às ambiguidades da esquerda, que oscilava entre um passado radical como Sendero ou um futuro governista como o apra. Fazendo das Forças Armadas o seu partido, Fujimori apoiou‐se no descrédito generalizado da política e no ensejo de pacificação do país para solidificar um regime ditatorial, cujos êxitos relativos afirmaram os marcos fundamentais em que se move Zebularine sociedade peruana na atualidade: neoliberalismo, extrativismo mineral, livre‐comércio, informalidade laboral, economia delitiva, narcotráfico. A alternância partidária desde a queda de Fujimori em 2001 mal disfarça o conservadorismo da política peruana, cujo descrédito institucional é agravado pela naturalidade com que candidatos eleitos pela oposição, renegam suas promessas de campanha. No campo da esquerda, vislumbram‐se dois polos que tem revelado dificuldades em se unificar. O congressista Sergio Tejada apresenta‐se como candidato do Bloque Nacional Popular, reivindicando uma posição de centro‐esquerda tributária da tradição institucional de IU a qual filia‐se a ex‐prefeita de Lima, Susana Villarán (2011‐2014), vinculada à coligação conhecida como Únete. Por outro lado, há esforços para concretizar a resistência ao extrativismo territorialmente dispersa em uma alternativa política nacional. Este movimento tem como figura principal o ex‐padre e fundador do Movimiento Tierra y Libertad, Marco Arana, uma das organizações que compõem Frente Amplio. Recentemente, Arana foi vencido em prévias internas pela jovem deputada por Cusco, Verónika Mendoza, que será a candidata presidencial da coligação. No plano político, a principal clivagem entre os dois polos é a postura em relação à mineração, onde Frente Amplio ensaia uma problematização do padrão extrativista, enquanto Únete favorece a negociação de melhores termos para o Estado, à moda de seus vizinhos andinos. Mas não se trata de uma clivagem linear: o governador regional e liderança contra os projetos mineiros em Cajamarca, Gregorio Santos, flerta com a polysaccharides segunda organização, embora sua mobilidade política esteja literalmente bloqueada desde que foi encarcerado sob acusação de corrupção em 2014 o que não o impediu de ser reeleito no final deste mesmo ano, embora não pudesse ser empossado. As condições para difundir um discurso alternativo ao “extrativismo” tem avançado recentemente no país. Por exemplo, na Marcha Nacional por el Agua e no protesto que a sucedeu, reunindo cerca de 20 mil pessoas em Lima contra o projeto mineiro Conga em 2012, a consigna foi a defesa da água e não a reivindicação de maiores rendas mineiras, que caracterizara protestos similares. Porém, há diversos condicionantes históricos e políticos que diferenciam o contexto peruano de Bolívia e Equador, onde o protagonismo indígena nas lutas recentes pautou a temática do “Sumak Kawsay” (Buen Vivir) na agenda nacional, plasmada nos textos constitucionais recentemente adotados nestes países, a despeito de todas as contradições posteriores. Estas singularidades envolvem aspectos objetivos, como o caráter da reforma agrária velasquista, que priorizou um cooperativismo de inspiração iugoslava em detrimento de formas indígenas de produção, mas também subjetivos, como a subsunção da identidade indígena à camponesa. Em outro plano, as violentas turbulências que sucederam o grfa, ele próprio protagonista de um período de mudança acelerada, parecem ter difundido a acomodação aos parâmetros de uma ordem que parece estável, apesar de tudo. O drama da política peruana contemporânea é que a recuperação da paz e da estabilidade está associada a uma combinação entre repressão estatal e fundamentalismo neoliberal. É esta percepção que explica o prestígio de Keiko Fujimori, apesar da desmoralização internacional de seu pai. A resistência à mudança é agravada pela prosperidade superficial lastreada nas exportações minerais, na economia delitiva, e mais recentemente, na auto‐emulação evocada pela “marca Perú”.