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    2019-06-10

    Nesta perspectiva, enquanto o governo Humalla anunciou uma lista de novos projetos mineiros de valor superior EPZ015666 U$ 41 bilhões, dados da Defensoría del Pueblo registraram 210 conflitos sociais em janeiro de 2015 no país, dos quais 140 de natureza socioambiental. Até meados de 2015, contabilizaram‐se 65 vítimas fatais em conflitos sociais neste governo, iniciado em 2011. No meio deste mesmo ano Arequipa, uma das principais cidades do país, estava ocupada pelo exército em função dos EPZ015666 conflitos decorrentes do projeto mineiro Tía María, para nomear um episódio de maior repercussão. Face complementar desta espécie de “acumulação por espoliação” é a política estatal de apresentar o Peru como grife ‐ a chamada “marca Perú”, que explora alguns nichos de consumo sofisticado, notavelmente a gastronomia, enquanto exportam‐se gêneros como aspargos, páprica, alcachofra, palta e quinua. Esta promoção do país para consumo externo, mobilizando motivos entre o cult e o exótico, revela‐se simétrica ao projeto de inserção internacional peruano, em que o mercado define não somente a sua inserção na divisão internacional do trabalho, mas também a própria identidade nacional. Na descrição de uma docente universitária, as peças publicitárias televisivas de “marca Perú” pretendem ensinar aos próprios peruanos quem eles são, preparando‐os entre outras finalidades, para receber aos turistas. É o marketing suprindo as insuficiências da história, ao resolver por meio de um simulacro o que a aristocracia criolla, Mariátegui e Velasco, entre outros, foram impotentes para afirmar. De modo lapidar, as contradições entre extrativismo e “marca Perú” se evidenciam na ameaça aos recursos hidrobiológicos do país. O incremento do consumo de proteína animal mundial desde o final dos anos 1980, puxado pela China, elevou os preços da anchoveta, que tem no Perú um de seus maiores produtores globais. Em um processo análogo à expansão da soja no continente, a anchoveta serve como matéria‐prima para a farinha e óleo de peixe, que por sua vez, alimenta peixes criados em cativeiro em outros países. Porém, o crescimento da pesca industrial da anchoveta na costa peruana ameaça a motor units subsistência de outros peixes, notadamente aqueles apreciados como “ceviche”, prato principal da gastronomia peruana promovida mundo afora.
    CONCLUSÃO A mobilização fermentada no bojo do velasquismo foi insuficiente para transcendê‐lo, mas calçou a resistência popular à investida neoliberal nos anos 1980, quando a esquerda peruana esteve na vanguarda do continente. Entretanto, dois processos perversos colocaram sua expressão política organizada, Izquierda Unida, diante de impasses que precipitaram o seu súbito declínio. Por um lado, as ambiguidades do governo aprista, que afinal chegou ao governo comandado por Alan García. A retórica e o simbolismo progressista do seu mandato disfarçaram o oportunismo e a venalidade que o impulsionava, resultando em ambivalências que conduziram o país a uma situação de caos socioeconômico, arando terreno para as políticas de choque que viriam. O canto da sereia aprista ludibriou parte da esquerda, encantada com a possibilidade de uma alternância eleitoral que só aguçou suas contradições internas, enquanto o apoio a uma estatização inconsequente dos bancos explicitou as dificuldades em afirmar uma liderança social autônoma, no momento em que a direita recuperava a iniciativa política. Este cenário se tornou ainda mais nebuloso com a expansão de um fenômeno político original, que pervertia a retórica e a cultura política de esquerda, fazendo com que uma organização de característica terrorista aparecesse como uma guerrilha marxista. Após semear a guerra civil em rincões empobrecidos do país, Sendero Luminoso intensificou suas ações urbanas no final da década, anunciando uma investida para cercar a capital realizada em meio ao assassinato de numerosas lideranças civis de esquerda e atentados que amedrontaram o país. Face aos desafios colocados por esta conjuntura notavelmente complexa, IU não logrou diferenciar‐se inequivocamente em relação ao alanismo e ao senderismo, mas ao contrário, sucumbiu à diferenças internas, explicitando aspectos caudilhescos e dogmáticos que permeavam a cultura política da esquerda.